Conheça Jorge Jesus, novo técnico do Flamengo

O técnico Jesus é vencedor, polêmico nas falas, ousado com o time e exigente com todos



O Flamengo foi surpreendido na última semana pelo pedido de rescisão do técnico Abel Braga. Sem tantas opções no Brasil, os cariocas recorreram a um estrangeiro de renome na Europa. O nome dele? Jorge Jesus. Sem títulos expressivos desde 2013, quando venceu a Copa do Brasil, o Urubu busca um salvador, alguém que potencialize os talentos de um elenco milionário e promissor.

O novo técnico do Flamengo tem um perfil nada discreto, não só por seus títulos, como também pelo jeito de ser. O português teve muito sucesso no seu país de origem, por conta de seu estilo "povão", além de diversos títulos conquistados e bons trabalhos atingidos. Como Jorge Jesus não é muito conhecido no nosso país, preparamos um perfil do treinador – comportamentos, estilo de jogo, modelo tático, curiosidades, entre outros aspectos.

Jorge Jesus, o salvador

Podemos dizer que sim. Por onde passou em sua carreira, o treinador melhorou o desempenho dos clubes. O primeiro grande trabalho foi com o Belenenses, entre 2006 e 2008. Com o time que na edição anterior chegou na 15ª posição do Campeonato Português, Jesus chegou e alavancou os resultados, sendo 5º e 8º nas temporadas seguintes. No período entre 2008 e 2009, treinou o modesto Braga e levou a instituição até as oitavas de final da Europa League.

Os bons trabalhos em equipes menores de Portugal fizeram com que o técnico assinasse contrato com um dos maiores do país: o Benfica, que na época sofria com a hegemonia do Porto. Pelos encarnados, Jorge Jesus fez história ao ficar em seis temporadas e conquistar nove títulos nacionais – sendo três vezes campeão português. Sob o comando de Jesus no Benfica, passaram jogadores como os brasileiros David Luiz e Jonas, além do argentino Angél Dí Maria.

Apesar da glória nos Encarnados, foi de Jesus a Judas em pouco tempo. Em 2015, optou por trocar o Benfica pelo Sporting, rival de Lisboa. Por lá, o treinador ficou por três temporadas, ao conquistar um vice-campeonato português e terminando por duas vezes em 3º lugar. O feito possibilitou que o clube voltasse ao posto de terceira força, atrás somente do próprio Benfica e do Porto. O último trabalho foi no Al-Hilal, da Arábia Saudita, até fevereiro de 2019.

Com um elenco forte nos últimos anos, mas resultados abaixo do esperado, o Flamengo poderia ter Jorge Jesus como um salvador também?

O treinador irreverente e do povo

Fora das quatro linhas, o português de 64 anos não tem papas na língua. Para se ter uma ideia, já disse ser o melhor treinador do mundo, atrapalhou um ensaio do cantor 50 Cent perto do CT do Benfica pois o rapper estava desconcentrando os jogadores e declarou que não trenaria o Porto pois "não é possível andar para trás para quem chegou no topo". Por esse tipo de coisa, é muito comparado a outro treinador português para lá de polêmico: José Mourinho. Apesar de toda essa marra, é tido como irreverente e de jeito simples. Por não ser muito bom com a Língua Portuguesa, muitas vezes já foi motivo de chacota na imprensa europeia.

Sendo o Flamengo o clube mais popular do Brasil ao lado do Corinthians, esse estilo debochado e simples pode ser meio caminho para o carinho do torcedor flamenguista, não?

Estatísticas

Além dos títulos portugueses com o Benfica, Jorge Jesus chegou a duas finais de Europa League com o alvirrubro português: em 2013 (perdeu para o Chelsea nos acréscimos) e 2014 (derrotado pelo Sevilla, nos pênaltis). Pelos encarnados, foram seis temporadas no Campeonato Português com números incríveis. Ao todo, apenas 18 derrotas, contra 27 empates e 129 vitórias. São 80,4% de aproveitamento em seis temporadas de alto nível na Europa.

Se somado os trabalhos no Benfica e no Sporting, os últimos de destaque em Portugal, Jorge Jesus costuma golear, até pelo estilo de jogo. Foram 48 goleadas em 10 anos, se contarmos por uma diferença a partir de quatro gols. Seus times tiveram média total de 2,2 gols por partida. Apesar do "ataque a qualquer custo", Jesus possui bons números defensivos. Neste mesmo tempo, a média é de 0,74 gol sofrido por jogo no Português. As estatísticas são de Bruno Almeida, repórter da Rádio Tupi.

Para seguir com bons números também no Brasil, o Flamengo deve reforçar o elenco nas próximas semanas. Há a expectativa para as contratações dos laterais Rafinha, ex-Bayern de Munique, e Filipe Luís, titular da Seleção Brasileira e ídolo no Atlético de Madrid. O Urubu ainda busca um zagueiro – que pode ser o colombiano Zapata, do Milan, ou o brasileiro Jemerson, do Mônaco – e talvez um centroavante para suprir a saída de Fernando Uribe.

Amor ao Futebol Brasileiro e ao Fla

Jorge Jesus é viciado nos Canais Premiere, que transmitem o Campeonato Brasileiro. Obcecado pelo futebol canarinho, o português acompanha até algumas partidas de Série C para achar bons valores em um baixo custo.

O fato de acompanhar o Brasileirão mesmo de muito longe e sempre ter tido o sonho de trabalhar no Brasil pode fazer com que Jorge não demore a se adaptar por aqui. Afinal, conhecimento sobre o futebol jogado por aqui não falta. Além disso, quando assinou com o Flamengo, o treinador afirmou que o clube carioca é um dos quatro grandes do mundo, ao lado de Boca Júniors, Barcelona e Real Madrid.

Aliás, antes do acerto com o Fla, Jesus foi sondado por Vasco e Atlético-MG, mas o rubro-negro sempre foi prioridade, tratado como o Plano A.

Sujeito durão e exigente

O comandante português gosta de dar treinos logo pela manhã, não curte muito as folgas e costuma dar treinos que duram bastante. Num elenco estrelado, pode ter trabalho para convencer todo mundo logo de cara e colocar todos na linha. Mas uma hora ou outra isso deve acontecer. Os treinamentos são longos pois o técnico é obcecado nos detalhes, é perfeccionista ao extremo. Jesus gosta de treinar especialmente bolas paradas, com jogadas inspiradas no basquetebol.

Quando se trata de imprensa, essa não terá muito acesso aos treinamentos, possivelmente. Pelo menos se pegarmos de parâmetro os trabalhos na Terrinha. Os trabalhos táticos são muito voltados para a posse de bola e o jogo ofensivo. Em Portugal, se envolveu em algumas polêmicas ao cobrar um melhor comportamento da imprensa, de seus jogadores ou até da diretoria do time que defende.

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E aí torcedor do Flamengo, será se linha dura é o que o time precisa para engrenar?

A melhor defesa é o ataque

Ataque, ataque, ataque... Apesar dos times de Jesus ter uma boa postura defensiva, até pela intensidade dos treinamentos e jogos, o forte das equipes do treinador é a parte ofensiva. Isso pode ser bom logo de cara, pois Abel Braga era muitas vezes tachado de retranqueiro por jogar com Willian Arão ao lado de Gustavo Cuellar. Isso não deve acontecer com Jesus, já que seu sistema de jogo preferido é o 4-1-3-2.

A ideia seria jogar com um volante a frente da zaga (deve ser Cuellar caso não seja negociado), além de dois meias extremos e um responsável por cadenciar o jogo e criar espaços. Desta forma, Everton Ribeiro e Arrascaeta poderiam atuar abertos e Diego pode ser o escolhido para ser o central. No ataque, a tendência é que Bruno Henrique e Gabigol joguem. Em todas as equipes que comandou, Jorge Jesus gostava de atuar com um "9 clássico", centroavante mesmo. Por isso, a diretoria pode ir atrás de um atacante como referência ainda neste ano. O treinador foi consultado sobre a possibilidade desta contratação.

Fã de Johan Cruyff, Jorge Jesus deve implementar uma espécie contemporânea de "Futebol Total" no Flamengo. Ou pelo menos tentar. Ataque, posse de bola e intensidade. Essas são as principais características dos times treinados pelo português polêmico.

Nem tudo são flores: a rejeição aos prata da casa

"Craque, o Flamengo faz em casa". Essa frase simboliza o lema do clube carioca que escancara o quanto é importante na história do clube os jogadores revelados na própria Gávea ou Ninho do Urubu. Só recentemente, casos de sucesso como Felipe Vizeu, Lucas Paquetá, Léo Duarte e Vinícius Júnior. Mas essa tradição pode estar em perigo com o português.

Em Portugal, o técnico já foi duramente criticado por não dar muitas oportunidades aos pratas da casa. O mais emblemático dos casos envolve Bernardo Silva, que não recebeu chances do treinador no Benfica, se transferiu para o Mônaco e hoje é um dos principais nomes do Manchester City de Pep Guardiola. Por outro lado, deu liga com outros jovens, como foi o caso do zagueiro David Luiz, que defende o Chelsea.


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E aí, torcedor flamenguista. Diante dos dados, curiosidades e características acima, Jorge Jesus é uma boa escolha da diretoria?

Por Matheus Alves

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