Carreira de Maradona: de menino pobre à Deus do futebol

Veja os clubes que Maradona jogou e seus feitos pela seleção argentina



O futebol e o mundo se despede de Diego Armando Maradona.

Um artigo em 2006 publicado no The New York Times levava o seguinte nome: “Roger Federer como experiência religiosa”. David Foster Wallace traçou um paralelo entre as emoções vividas através de Federer, um dos maiores tenistas de todos os tempos (se não o maior) com uma experiência praticamente divina. Pensando nisso, podemos traçar um mesmo paralelo com Maradona, com certeza!

Pra quem é fã do esporte e não conhece o argentino (o que penso ser quase impossível), vamos contar a história do eterno camisa 10 da seleção dos hermanos. Será de maneira breve, ficaríamos horas contando todos os feitos de Diego Maradona.


História de Diego Maradona

Diego Armando Maradona nasceu na periferia de Buenos Aires e cresceu na Villa Fiorito. Com 8 filhos, o pai de Maradona (Don Diego) trabalhava em uma fábrica da cidade e fazia serviços de pedreiro para que nada faltasse em sua casa.

A habilidade, apresentada desde muito novo nos subúrbios argentinos, fizeram ele realizar e passar em uma peneira do Argentino Juniors, seu primeiro time. Maradona ficou no Bicho Colorado 12 anos, 6 na equipe profissional. Esse foi o tempo necessário para que o Boca Juniors notasse o maior craque argentino de todos os tempos e o contratar.

Com 40 jogos e 35 gols na equipe que atua na La Bombonera, Diego Maradona embarcou para Espanha, a equipe da vez era o Barcelona. Com menos de 60 jogos e 38 gols, o argentino foi até a Itália para atuar pelo Napoli, equipe que Maradona mais vestiu a camisa. Foram 259 jogos e 199 gols com os napoletanos. O maior nome da história do clube!

Após sua grandiosa passagem pelo Napoli, vencendo a Copa da UEFA, Copa da Itália, Supercopa da Itália e duas vezes o Campeonato Italiano, o argentino atuou em 259 jogos e marcou 199 gols.  

Após, Maradona voltou à Espanha para jogar pelo Sevilla, depois passou pelo New Old Boys e encerrou a sua carreira no Boca Juniors. Entretanto, os maiores feitos do argentino foi vestindo as cores de seu país.

Maradona é o grande nome da Seleção Argentina e o maior jogador de futebol de todos os tempos ao lado (ou abaixo) de Pelé. Para falar sobre sua grande contribuição para a camisa celeste, vamos voltar até 1986 para contar a história de uma Copa do Mundo, a Copa de Diego Maradona.

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Copa do Mundo de 1986

A Argentina estava no grupo A junto da Itália, Bulgária e Coréia do Sul. 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 1 gol de Maradona contra a Itália. Nas oitavas de final, Pasculli marca o único gol argentino contra o Uruguai e coloca a Argentina nas quartas de final contra a Inglaterra. Esse jogo é o mais importante desta matéria.

Argentina e Inglaterra terminou 2 a 1 para os hermanos com dois gols de Diego Armando Maradona. Após esse dia, ele passou a ser conhecido por ter La mano de Dios e por ter feito o gol mais bonito de todas as Copas do Mundo. No 2° tempo, Maradona sobe em uma bola dividida junto com Peter Shilton (goleiro inglês) e com a mão, abre o placar para a equipe argentina. Ao final do jogo, Maradona foi questionado sobre ter feito o gol com a mão, a resposta do camisa 10 é uma das mais famosas de todos os tempos.

“Lo marqué un poco com la cabeza y un poco con la mano de Dios”

Mas essa partida não acaba por aí. Após abrir o placar para a Argentina, quatro minutos depois, Maradona amplia fazendo um dos gols mais antológicos de todos os tempos. O camisa 10 passa por quase toda a equipe inglesa, dribla o goleiro e coloca o 2x0 no placar e seu nome de uma vez por todas na história da competição mais importante do futebol. O segundo gol ainda é conhecido como o Gol do Século.

Na semifinal, a Argentina bateu a Bélgica por 2x0. Adivinha quem fez os gols? Sim, Diego Armando Maradona. Com esses dois gols, ele coloca a Argentina na final da Copa do Mundo contra a Alemanha. Mesmo Maradona não fazendo gol na final, a Argentina venceu por 3x2 e o camisa 10 recebeu a Bola de Ouro da Copa do Mundo de 1986.

Pela seleção, ao todo foram 91 jogos e 34 gols, o quinto maior artilheiro da história. 


O Deus Maradona

Sendo o maior jogador argentino de todos os tempos por tudo o que fez e a sua genialidade dentro de campo, Maradona virou praticamente um Deus na Argentina. Isso ficou tão sério que no dia 30 de Outubro de 1998 (o gênio completava 38 anos) a Igreja Maradoniana foi fundada. Inclusive, os integrantes dessa religião comemoram o natal no dia 30 de Outubro.

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Há quem siga o Maradona como uma verdadeira divindade. Mas o fato é que o futebol tem muito o que agradecer à esse gênio. A comoção na Argentina é como se o país tivesse perdido a sua maior referência, seu maior ídolo. É de se imaginar o tanto de pessoas que se inspiravam em Maradona como exemplo dentro dos gramados. Fora deles, Maradona era falho como qualquer outro. Mas dentro, os ingleses provaram que ninguém o parava.

Se Roger Federer consegue provocar uma experiência quase religiosa em seus fãs, podemos dizer o mesmo de Maradona. Isso é uma exclusividade para pouquíssimos, mas a contribuição para o futebol e a conexão criada com os argentinos e com os que amam o esporte, tornaram Maradona um ídolo a ser seguido.

O esporte faz isso com as pessoas. Ele doa um sentido, uma oportunidade e, muitas das vezes, uma identidade para uma nação. Hoje, a Argentina chora por perder o ídolo de muitas crianças, jovens, adultos e idosos. Entretanto, o futebol e o mundo, em prantos, agradece à El Pibe de Oro por todas as alegrias e momentos de euforias causados. Quem olha até pensa que foi uma experiência religiosa, quando, na verdade, foi só mais uma jogada genial do Maradona.

Em 26/11/2020 por Daniel Mynssen

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