Athletico-PR: o novo campeão da Copa do Brasil

Conheça os segredos por trás do sucesso recente do Furacão, o mais novo time grande do Brasil



Na noite de quarta-feira (18/09/2019), um Furacão passou às margens do Rio Guaíba, em Porto Alegre (RS). O destino final? A Arena Beira-Rio, abarrotada de torcedores do Internacional. A tragédia ao colorado gaúcho traduziu-se em festa para os torcedores do Clube Athletico (com H mesmo) Paranaense. Isso porque, com a vitória do Furacão sobre o Inter por 2 a 1 no jogo de volta da Final da Copa do Brasil, o Athletico se tornou campeão inédito da competição nacional. A frustração pela perda na decisão de 2013 para o Flamengo ficou para trás. 

Premiação do Athletico com o título da Copa do Brasil 2019: R$ 64,35 milhões 💰

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Com isso, o rubro-negro paranaense caminha a passos largos para atingir um feito: se tornar um dos principais times do Brasil, da América do Sul, da América e do Mundo. Isso mesmo, por que não?. Desde que assumiu o clube, em 1995, Mário Celso Petraglia vem revolucionando a instituição antes Atlético Paranaense e agora só Athletico-PR. O objetivo é claro e nada de ser escondido para ninguém: se tornar campeão do mundo até 2024, ano do centenário do time. 

Diante de uma conquista gigante, como a de ontem, estamos aqui hoje para contar a você a trajetória, o modelo de gestão, o relacionamento com a imprensa, os títulos recentes, enfim! Conheça a história de ascensão do Clube Athletico Paranaense e por quais motivos chegou ao topo do futebol brasileiro, no mesmo patamar de outros gigantes. 

Tiago Nunes, um Furacão

Gaúcho de Santa Maria, Tiago Nunes foi um andarilho do futebol no início da carreira como técnico. Para se ter uma ideia, já foi campeão de estaduais em Mato Grosso (Luverdense, em 2009), Acre (Rio Branco, em 2010), Rio Grande do Sul (2ª divisão pelo São Luiz, em 2005 e sub-15 com o Grêmio, em 2013) e Paraná (Athlético, em 2018). Chegou ao Furacão em 2017, a convite de Paulo Autuori, então gestor de futebol. O objetivo era criar um DNA para os jogadores oriundos das categorias de base do rubro-negro.

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Porém, no ano seguinte, as coisas caminharam a passos largos para Tiago Nunes. Foi Campeão Paranaense no profissional, comandado a equipe Sub-23 do Furacão. Depois, logo no início do Brasileirão, assumiu de vez o plantel principal do clube, logo após a demissão de Fernando Diniz. Nunes se aproveitou do estilo de jogo proposto pelo seu antecessor e colocou mais intensidade, força ofensiva e defensiva, além de um jogo mais vertical dentro de um modelo de posse de bola e troca de passes. Sendo assim, o gaúcho criou uma máquina de time: em 10 meses, conquistou os principais títulos da história do Athletico - a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil, ambos conquistas inéditas para a instituição. 

Viciado em livros, especialmente biografias de colegas de trabalho, como as de Marcelo Bielsa e Carlo Ancelotti, Tiago Nunes por pouco não optou pelo Jornalismo Esporitvo. É formado em Educação Física na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), de sua cidade natal. Esse conhecimento e a vontade de vencer e evoluir fizeram um casamento perfeito: Tiago Nunes e Athletico Paranaense.

Aposta na base

Outro aspecto que faz o Furacão como é hoje, a aposta nas categorias de base começou há seis anos, em todas as disputas de estadual. Desde então, o Athletico utiliza de seu elenco sub-23 nos Campeonatos Paranaenses e de lá para cá já até conseguiu título, em 2018, com Tiago Nunes. 

Esta fórmula serve tanto para formar jogadores capazes de lidar com grandes jogos, como também funciona para dar menos calendários aos atletas mais experientes do elenco. Enquanto outros clubes brasileiros começan a “labutar” em janeiro, o plantel principal do Athletico tem uma pré-temporada maior e inicia sua trajetória com mais gás, entrosamento e preparo físico.

Desde que este modelo foi implantada, surgiram jogadores fantásticos, como Bruno Guimarães, Pablo (hoje no São Paulo), Otávio (Bordeaux, da França), Renan Lódi (Atlético de Madrid) e Marcos Guilherme (Al Wehda, Arábia Saudita). 

Estrutura: CT do Cajú e uma Arena com solo diferente

O CT do Cajú foi construído inicialmente como um SPA. Atualmente, é um espaço para as categorias de base e o elenco principal se integrarem. Sendo assim, os “piás” da base usufruem do mesmo espaço, com alojamentos de primeiro mundo, estrutura e gramado de primeira. Inclusive, há um gramado sintético no Centro de Treinamento do clube, tal qual é o piso de jogo da Arena da Baixada.

A Arena foi o primeiro estádio do Brasil a conseguir vencer os Naming Rights (“direitos de nome”), quando se tornou Kyocera Arena da Baixada quando foi fundada. Hoje, este modelo também pode ser visto em estádio como o Allianz Parque, do Palmeiras, e a Itaipava Arena Fonte Nova, em Salvador. 

Por um questão de custo menor e para se distanciar do histórico ruim dos gramados naturais no sul do país, o Athletico adotou há alguns ano o gramado sintético na Arena da Baixada. Isso é visto como um diferencial dos jogos em casa do Furacão, e a reforça de seus estádio para a Copa do Mundo de 2014 transformou o espaço ainda mais em um caldeirão, com a proximidade maior do torcedor ao campo. 

De idealizador e gestor à presidente/dono: Petraglia

Mário Celso Petraglia chegou ao Athletico em 1995. Desde então, já ocupou todos os cargos no clube que você possa imaginar, só não foi treinador (oficialmente). Hoje, é o Presidente do Conselho Deliberativo, mas ainda é quem manda e desmanda na instituição. Controverso, polêmico, de pouco trato com a imprensa, empresas de TV e sem querer agradar seus rivais, Petraglia se tornou um cara visto como antipático no meio do futebol, mas que faz um bom trabalho como gestor. 

Sob a sua tutela, o Furacão melhorou a estrutura, construiu sua Arena, Centro de Treinamento, melhorou a base, entre outras coisas. E, é claro, o que importa para o torcedor, trouxe os principais títulos da história do Furacão. 

O maior problema certamente é na relação com a imprensa. As entrevistas coletivas são só para os veículos que têm direitos de transmissão nos torneios dos quais o Athletico participa. Após o jogo, apenas o técnico e um jogador escolhido pode dar entrevista para os demais veículos. Quem discumprir a ordem lá de cima, é multado. Os treinamentos são sempre fechados à imprensa. Quando é aberto, isso só acontece apenas nos períodos de aquecimento para obtenção de imagens. 

Ou seja, o cara manda e desmanda, não tem a intenção de agradar ninguém, e segue tentando fazer o Athletico se tornar um gigante do futebol. Do seu jeito torto e polêmico, mas até que tem conseguido fazê-lo. 

Clube-empresa

Atualmente, tramita no congresso a Lei 5082/16, de autoria do ex-deputado Otávio Leite, do Rio de Janeiro. Esta lei permite que os clubes passam a ser clube-empresa, ou seja, passam de instituições sem fins lucrativos e podem ser “S/A”, sociedade anônima. Tal qual acontece com o Bragantino, vendido à empresa austríaca de energéticos, Red Bull. Para o Athletico e seu “dono” Petraglia, esse é o modelo do momento e o Furacão já encaminha para se tornar S/A. Para isso, a consultoria inglesa Ernst & Young foi contratada.

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Grandes clubes do mundo, a exemplo de Liverpool e Manchester United, tem esse modelo de gestão. Ou seja, esses times são administrados e mantidos por empresas de diferentes partes do mundo. O Athletico, assim, quer seguir a tendência. 

Títulos e mais títulos

O Athletico teve momentos de crise também, desde que Mário Celso assumiu o comando total do time. Em 2011, por exemplo, quando o clube tentava captar recursos para reformar a Arena da Baixada, o Furacão foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Mas logo voltou à elite.

Acontece que, desde 1995, a instituição tem muito mais altos do que baixos. Foi Campeão de: Campeonato Brasileiro Série A (2001), Sul-Americana (2018) e agora Copa do Brasil (2019). São títulos gigantes, contra grandes adversários. Além disso, foi vice da Libertadores e do próprio Brasileirão e Copa do Brasil. Ou seja, podemos dizer que o Athletico tem títulos mais relevantes nas últimas décadas que muitos outros clubes considerados gigantes do futebol brasileiro, como Vasco, Botafogo, entre outros.

E fica uma pergunta, qual será o próximo título do Furacão?


“Ambição, entusiasmo, rebeldia e inovação” 🌪

Este é o lema estampado na Sala de Imprensa (pouco usada) do clube. E, de fato, não podemos negar. O Furacão é símbolo e prática de ambição, entusiasmo, rebeldia e inovação, seja por parte de torcedores, gestores, técnicos ou jogadores em sua história recente.

Diante de tudo isso apresentado torcedor, qual é o tamanho de hoje do Athletico Paranaense em relação aos outros clubes brasileiros? Deixe sua opinião!

Em 20/09/2019 por Matheus Alves

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